Jerusalém

Já não é a primeira vez que falo aqui da boa fase que atravessa a literatura portuguesa de há uns anos para cá. Não me refiro à quantidade de livros lançados (que é enorme e nem sempre sinónimo de qualidade literária), mas sim a uma nova geração de bons escritores.
Gonçalo Tavares, apesar de já ter publicado o seu primeiro livro há uns anos, é um bom exemplo. Tem uma escrita clara, que prende o leitor desde o primeiro momento.
Neste Jerusalém fala-nos do mal e da forma como certos acontecimentos condicionam a vida dos personagens. Acho mesmo que este devia ser um livro de leitura obrigatória.



Ficha Técnica
Título - Jerusalém
Autor - Gonçalo M. Tavares
Editora - Editorial Caminho
ISBN - 9789722117043
Género - Romance
Sinopse - Excerto
Como as substâncias se separavam logo à partida, entre as que avançavam com a vontade própria e as que esperavam com a obediência estática (e nisso dividiam-se como alguns homens). Os sapatos eram a obediência pura, a escravidão mesquinha, enojavam-lhe naquele momento; a sabujice destes materiais em relação ao homem. Nenhum cão é tão sabujo como estas substâncias.
Não há possibilidade de diálogo entre substâncias que nascem logo em campos opostos, em campos, não inimigos, que isso seria pensar na possibilidade de elevação do homem que agarra na arma para combater; ali, pelo contrário, o afastamento não era entre substâncias inimigas ou entre dois predadores que se preparam para combater por um pequeno território; tratava-se simplesmente de passividade absoluta de um lado, e do outro energia forte, que constrói ou destrói, mas que modifica sempre. Não somos uma coisa que espera, murmura Mylia, enquanto avança a passos fortes para a igreja.

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